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“Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas.”  (Mc 1.22)

 

I) Governo e Autoridade no Ministério de Jesus

Passo a considerar algumas questões sobre governo e autoridade. O texto citado por nós praticamente abre os relatos do ministério público de Jesus em Marcos, já que os fatos que o antecedem não estão propriamente relatados, pois após o Batismo estão mencionadas duas coisas: a primeira é que Jesus foi para o deserto, tendo sido lá tentado por Satanás, mas não narra o que ocorreu, em seguida diz que foi para a Galiléia, “pregando que o Reino de Deus está próximo”, situando-o num amplo contexto. A exceção está no breve relato do chamado e da vocação de alguns dos discípulos. Sublinhar estes fatos visa destacar a importância que o relato do ocorrido na Sinagoga de Cafarnaum teve para a Comunidade de Marcos, autor do Evangelho, já que é o primeiro momento em que Jesus, num local e dia específico, aparece ensinando e realizando um sinal da presença do Reino de Deus.

O que realmente este texto nos ensina acerca de governo e autoridade? Primeiramente, vejamos o local onde Jesus está. Cafarnaum era uma forte cidade de pescadores, atividade econômica fundamental em torno ao Mar da Galiléia, sua Sinagoga era a mais importante de todo o norte da Galiléia, de onde sai o ensino e a linha de ação política para toda a Galiléia. Era um local estratégico. Não é por acaso que Jesus escolhe Cafarnaum e a Sinagoga como um cenário para a sua atuação. Como sabemos, mais tarde Jesus vai ressuscitar a filha de Jairo, que era chefe da Sinagoga. (Mc 5.21-24).

O outro aspecto a ser sublinhado é que era Sábado, momento decisivo na vida dos judeus, pois vinham em contrição, abertos para aprender os ensinos daqueles que detinham o controle religioso e ideológico do povo judeu, exercido através das várias Sinagogas existentes em Israel, ou seja, os Escribas, mestres e intérpretes da Torah-Lei, dos Profetas e os Escritos. Estes, através disto, detinham um poder e mesmo governo sobre a vida do povo judeu.

Agora, iniciava-se o confronto, um novo Mestre assume uma das principais Sinagogas de Israel: Jesus, o Messias. Seu governo e autoridade começa a ser reconhecido, e imediatamente o texto destaca que o povo o compara com o ensino e, consequentemente, como autoridade e governo dos Escribas. Sim, ao dizer que Jesus “ensinava como quem tem autoridade”, isto significava escolher seu ensino, reconhecer sua autoridade e esperar seu governo. Neste quadro é que se deve entender as multidões que o seguiam. O interessante é que o texto não apresenta o ensino de Jesus propriamente dito, não nos termos que estamos acostumados, ou seja, uma longa dissertação com conteúdo lógico e seguro. Não, Jesus toma o termo Reino de Deus, nesta época pouco conhecido em Israel, e propõe a superação do presente tempo (Lei), por um tempo novo (Graça), que é o tempo do Reino de Deus. Sim, uma nova criação, nova ordem, baseada numa autoridade vinda de Deus e um governo consequente disto. A adesão torna-se voluntária. O seu ensino baseia-se em atos que Deus, através do Mestre e Messias Jesus, vai sinalizando. No caso da Sinagoga, o que fez com que o povo cresse nEle foi a expulsão do demônio que estava sobre o homem, aqui está a força do poder de Deus sobre o seu ungido (cf. Lc 4.18). O impacto é tão grande que o povo reconhece e se admira: “Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!” (Mc 1.27).

Fica claro que no ministério de Jesus sua autoridade e governo se impõem, porque seu ensino é acompanhado de sinais que promovem vida, justiça, libertação das forças das trevas. “... Para isto se manifestou o Filho de Deus, para destruir as obras do diabo”. (1Jo 3.8b).

Finalmente, Jesus mostra que poder e autoridade dada por Deus para o exercício do governo na dispensação do Reino de Deus, não podem ser exercidos conforme os reis da terra, que buscam privilégio para si, para isto exploram e oprimem o povo. Esta denúncia é feita em função da discussão que se levantou entre os discípulos, em torno de qual deles seria o maior e que iria exercer maior autoridade. (cf. Lc 22.24). Jesus contrapõe esta discussão mostrando que o exercício da autoridade e governo no Reino de Deus (entre vós), na Igreja, tem que ser diferente dos sistemas usados nos povos. Sim, no Reino de Deus, o maior, o que exerce autoridade, é o que é servo de todos, usa a autoridade para o benefício do povo, principalmente dos mais fracos, trazendo a eles vida, saúde, libertação. Enfim, o Shalom de Deus, o seu Reino.

 

II) Governo e Autoridade na Igreja

Eu gostaria de escrever um pouco sobre como esta linha de autoridade e governo em Jesus se desenvolveu na Igreja Primitiva, mas aí esta deixaria de ser uma página pastoral para ser um ensaio. E não é este o nosso propósito, mas seguir a linha pastoral de orientar, ensinar e edificar.

Cada vez mais nos deparamos com um quadro onde autoridade e exercício do governo perdem seu sentido de reconhecimento pelos frutos, para uma manipulação bem feita das mídias em beneficio próprio. A máxima de que uma mentira repetida dezenas de vezes torna-se verdade adquire importância, pois é o recurso para se conquistar discípulos/as e seguidores/as, visto que quanto mais seguidores/as mais facilidade de alcançar poder. O youtube paga para quem alcança um número maior de seguidores/as. Diante de ofertas assim: Quem escolhe o caminho da verdade? Ele é estreito e seus seguidores/as são desafiados/as a amar seus/suas inimigos/as e orar pelos/as que os/as perseguem, tudo que as cruzadas das mídias repelem. Lá a máxima é: Difamem, desconstruam, caluniem, especialmente aqueles que ocupam o lugar que deve ser meu. E convenhamos, nós andamos perto disto. Muitos/as cristãos/ãs divulgam mais rapidamente a desgraça e pecado de um/a irmão/ã, do que as bênçãos e virtudes dos/as mesmos/as. Porém, o que destrói a vida de um/a irmão/ã hoje, amanhã vai destruir a minha, é só uma questão de tempo. Devemos nos impor pelos frutos de nosso ministério, e não pela ética do mundo presente. Tenho dito e repetido que nossa autoridade como pastores/as é conquistada não pelo nosso saber teológico, nem pelos nossos direitos canônicos, mas pelos frutos de nosso ministério, e pelo nosso amor uns pelos outros, pelo rebanho e pela Igreja.

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (João 13.35)

Do irmão em Cristo,

Bispo Paulo Lockmann

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