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“Deus continuou: Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa.” (Ex 3.5)

Este texto sempre me impressionou, pois tento imaginar esse encontro de Moisés com Deus, um momento tremendo, ao qual a teologia chama epifania ou irrupção do sagrado ou transcendente na história. O encontro de Moisés com Deus o faz ingressar na dimensão sagrada de Deus e de sua santidade. Ele se acerca de Deus, porque Deus se revela como um Deus tremendo. A expressão de Moisés diante da sarça ardente foi: “Irei para lá, e verei essa grande maravilha, porque a sarça não se queima?” (Ex 3.3)

Hoje, estamos contemplando um povo que anseia por ver e experimentar os sinais extraordinários de Deus: uns vão a reuniões para “caírem no poder”, outros para verem pessoas possessas serem libertas, e há os que esperam milagres a custas de pesadas ofertas," fazem negócio com Deus". Há uma busca pelas manifestações visíveis do poder de Deus. Sim, o Deus da Bíblia, manifesto em Jesus Cristo, fez e faz sinais tremendos. A Igreja, ainda hoje, recebe este dom de operar sinais: “Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem...” ou “Em verdade, em verdade vos digo que, aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.” (Jo 14.12)

Mas, vejamos na Palavra de Deus: Para que Deus opera sinais? O texto de Êxodo 3.7 é muito claro: depois de Deus dizer quem Ele é, diz: “Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento.” Deus manifesta-se a Moisés para anunciar-lhe sua indignação com a opressão vivida pelo povo sob o jugo de Faraó. Assim, a primeira função da sarça ardente é para anunciar que Deus vê, Deus ouve e Deus conhece o sofrimento do povo. Com isso Deus está convidando Moisés a partilhar de seu sentir.

A santidade e a transcendência de Deus o tornam sensível às necessidades das pessoas, o faz ver, ouvir e conhecer. Aqui vem nossa primeira conclusão, para ser discutida como Igreja: Será que os sinais do poder de Deus, que buscamos, estão nos fazendo:

1) Ver a aflição do povo?
2) Ouvir o seu clamor diante de seus opressores?
3) Conhecer melhor o seu sofrimento?

Se não, nossa busca está carecendo de eficácia da santidade e ação missionária autenticamente bíblica e Metodista. Diante dos nossos olhos ocorre hoje uma das mais graves crises política e social da história recente do nosso país, este momento histórico que afeta a todos é também uma oportunidade missionária.

 

Outra pergunta: Para que Deus opera sinais? Podemos tirar outra conclusão bíblica:

A revelação de Deus acontece para livrar, libertar do jugo opressor e conduzir a uma terra de fartura para todos, conforme diz o texto: “...desci a fim de livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel...” (Ex 3.8). Assim, podemos afirmar que a manifestação do poder de Deus gera um antes e um depois: antes escravo e sob jugo estrangeiro, e depois no caminho de uma terra boa, ampla e de fartura. E, por favor, não se trata de sentido simbólico; o jugo existia e continua existindo, e a promessa da terra boa, ampla, continua a ser um alvo a ser buscado por quem serve ao Deus que faz a sarça arder sem queimar, faz o cego ver, alimenta os famintos e liberta os oprimidos de qualquer jugo. Creio que nesse nível de entendimento bíblico há um outro desafio para quem busca a graça e o poder de Deus.

O seguinte desafio surge do compromisso proposto a Moisés: “Vem agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito.” Ninguém que se acerca de Deus com responsabilidade pode retirar-se impunemente, irresponsavelmente. A vida nunca mais pode ser a mesma, tem que haver compromisso. E este compromisso acontece, primeiramente, porque adquirimos o sentir de Deus. Ver, ouvir e conhecer. Sim, indignamo-nos com a opressão dos pequenos, dos marginalizados. Em segundo lugar, nos comprometemos com sua libertação, com a quebra do domínio do opressor, e o ajudar o povo a encontrar terra boa, ampla e onde há fartura para todos. Essa é a trilha de um ministério de santidade e em santidade; um ministério de intimidade com Deus e segundo o pulsar e o sentir do coração de Deus. Esse foi o ministério de Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor.” (Lc 4.18-19).

Finalmente, a experiência de Moisés com Deus torna-se modelo para todos, aqueles e aquelas, que, de alguma forma, tem tido uma experiência pessoal com Deus em Cristo Jesus, porque assim como Deus prometeu a Moisés: “Deus lhe respondeu: Eu serei contigo; e este será o sinal de que eu te enviei: depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus neste monte.” (Ex 3.12), também a nós é dirigida esta palavra.

Não somos bem sucedidos no ministério por causa de nossa boa formação teológica, nem por causa de nosso esforço e trabalho, ainda que sejam elementos fundamentais, mas porque Deus se propõe a estar conosco. A presença de Deus diariamente na nossa vida e ministério é que faz a diferença.

Rendamos nossa vida a seus pés. A cada dia busquemos a sua face. Aliás, como Deus é profundamente coerente e fiel, é que na revelação em seu Filho Jesus, volta a dizer: “...eis que estou convosco todos os dias, até a consumação do século.” (Mt 28.20b).

Diante disso, pare de trabalhar sozinho, renda-se, como João Wesley, a cada manhã, na presença do Senhor; viva como o que sobe o monte Horebe cada dia, mas lembre-se de tirar as sandálias dos seus pés, porque andar na presença do Senhor é pisar em terra santa, é realizar obra santa, é edificar uma igreja santa e viver um ministério santo. Que Deus nos abençoe nessa nobre missão.

 

Do irmão em Cristo,

Bispo Paulo Lockmann

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