Tel: (21) 2557-3542     |     Webmail     |     Webmail Pastores

You Tube

Assine nossa newsletter

Últimas notícias

Vídeo em destaque

“Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. (2 Tm 4. 2-4)

1) A Igreja é de Deus.

Cito com muita frequência esta frase, pois me recuso a aceitar apropriações individualísticas e capitalistas da Igreja em nosso meio. Sim, tudo hoje é qualificado pelo valor monetário. Pastores/as e “apóstolos” se apossaram da Igreja. E o povo embarca nessa heresia, “...estou na Igreja do apostolo fulano...” A Igreja não é posse de seres humanos, conceitualmente nós somos a Igreja de Cristo. A Igreja não é do apostolo, do pastor, nem do bispo Paulo Lockmann. A Igreja é de DEUS!

Tal fato é decisivo, porque esta noção de posse passa a alguns o direito de fazer da “sua” Igreja o que quiser, sem respeito às Escrituras Sagradas, tradição histórica do Cristianismo e do Protestantismo. Com isso, se introduz práticas estranhas e heréticas, afinal, pensam que a Igreja é deles, e fazem o que querem. “Entre nós Metodistas não pode ser assim”. Nem o bispo, nem Superintendente Distrital, nem Pastor/a é dono da Igreja.

 

2) A Igreja tem governo dado por Deus.

Sim, a Igreja tem governo, direção, que estabelece o que pode e o que não pode ser feito. E esse governo emana do Senhor da Igreja, Jesus.

Nosso governo é Conciliar (geral, regional, distrital e local) e Episcopal. Enquanto pastores/as e coordenadores/as regionais de ministérios não assumimos funções sem o respaldo episcopal, ou no caso dos ministérios locais sem o respaldo pastoral. E todos exercermos a partir do poder decisório dos concílios, a quem prestamos contas de nossos atos em seus respectivos níveis.

Temos sempre uma autoridade sobre nós, que se apoia na autoridade absoluta de quem é Senhor e dono de tudo: Deus. “[Salmo de Davi] Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam.(Sl 24.1)

A Igreja primitiva experimentou isto, precisavam se organizar e decidir. Fizeram o primeiro concilio conforme relata Atos 6.1-6, e elegeram os diáconos. Precisavam resolver a questão do ingresso dos gentios na Igreja e outras questões. Reuniram-se em Concilio como relata Atos 15. Era necessário dar corpo ao governo do Concilio e dos apóstolos, que incluiu Paulo como último dos apóstolos. Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus.” (1 Co 15.7-9)

Assim, Apóstolos são os que viram Jesus e receberam dele mesmo este envio, que é o significado da palavra apóstolo. De Paulo, que foi o último, até nós, todos os cristãos são apóstolos – enviados, por isso a Igreja é Apostólica, ouçamos Dufour[1]: “Num sentido amplo Apóstolo é dom de todos os discípulos de Cristo”. Jamais na era pós-apostólica se usou o título de apóstolo como “posto hierárquico” e de exercício de poder. O ministério apostólico hoje se identificaria como o ministério missionário da Igreja, o que passa disto é antibíblico.

Na verdade, o governo da Igreja ainda no primeiro século era exercido por ministério escolhido conciliarmente. “Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos. Tendo havido, da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles, resolveram que esses dois e alguns outros dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, com respeito a esta questão. Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão.(Atos 15.1-2 e 6).

Vimos também, após o Concilio de Jerusalém, enfatizar o governo dos presbíteros ao lado dos apóstolos. “Ao passar pelas cidades, entregavam aos irmãos, para que as observassem, as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros de Jerusalém.” (Atos 16.4) e “De Mileto, mandou a Éfeso chamar os presbíteros da igreja.” (Atos 20.17).

Mais tarde nas cartas pastorais de Paulo, Pedro e João, vai se reconhecer o ministério especifico do Bispo, que é o Presbítero supervisor, sentido da palavra Episkopos. Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar.” (1Tm 3.1-2).


3) Neo-Judaismo no Cristianismo?

Já falei da infiltração de práticas judaicas no meio evangélico, e mesmo lamentavelmente na nossa Igreja Metodista.

No entanto, me vejo forçado a voltar a escrever, pois as práticas judaicas seguem ocorrendo e sendo “transpostas” ao cristianismo. O problema não é novo, o Concilio de Jerusalém foi realizado para tentar resolver isso. “Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos.” (At 15.1). “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós?” (At 15.10). Mesmo com as orientações deste Concilio, liberando os discípulos das igrejas nascentes das práticas judaicas, Paulo enfrentou durante todo seu ministério tal questão. “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho.” (Gl 1.6) e “Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei. De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes.” (Gl. 5.2-4.)

Se lermos Hebreus, o autor acaba com todos os fundamentos dos ritos judaicos, dizendo que os ritos antigos eram humanos e transitórios. Por favor, leiam Hebreus 8-10.

Diante disso, passo a comentar e recolocar em seu devido lugar, as tradições judaicas que nos invadem:

 

a) Páscoa.

Escrevi e repito: A Páscoa judaica é um rito superado, pois o cordeiro não precisa mais ser imolado, assim como diversas outras práticas: ervas amargas, recordando o cativeiro, etc, que estão superadas. Nossa Páscoa tem em Jesus “O cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” (Jo 1.29). E celebramos uma Nova Aliança baseada na Nova Lei do Evangelho. Nosso memorial é outro: “...em memória de mim...” (1Co 11.22) Sim, um memorial ao sacrifício de Cristo, e a expiação pelos nossos pecados.

 

b) Sacerdotes e levitas.

O sacerdócio Aronico ACABOU para nós cristãos. “Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza, mas a palavra do juramento, que foi posterior à lei, constitui o Filho, perfeito para sempre.” (Hb 7.23-28).

Por que é importante sublinhar isto? Porque algumas práticas neo-judaizantes se baseiam em elementos do sacerdócio aronico judaico, por exemplo: pastores/as se assumirem como se fossem sacerdócio aronico para receber primícias, quando não são descendentes de Arão, nem sacerdotes dos tempos da Antiga Aliança (AT).

Tampouco as primícias não são cultivadas nos termos legítimos do Antigo Testamento. Vejamos o que nos dizem os especialistas[2]: “ chamam-se primícias (hebraico bikhurim do radical hebraico bkr=nascer antes) recolhimento que se faziam antecipadamente sobre os primeiros produtos do solo(heb.resit), que se consideravam como os melhores produtos da colheita ou rebanho”.

A primicia era então oferecida a Deus no altar para sustento do sacerdócio e do templo. Jamais entregue somente ao sacerdote, como de sorte, esta acontecendo hoje. Isso é desvio da tradição bíblica e apropriação para uso pessoal do que deve ser oferecido a Deus no altar, e que então pode, e até deve ser usado para o sustento do ministério. Atenção! Diante disso, declaro não ser licito pastor/a metodista da 1ªRE estimular ou receber para seu uso pessoal primícias. Isso não impede de alguém grato por seu ministério dar uma oferta abençoadora, mas espontânea, sem insinuação, e jamais como primicia, ou seja, realmente voluntária.

Nosso ministério pastoral não é sucessor do sacerdócio aronico, hoje o sacerdócio é de toda a Igreja como nos ensina Pedro: “ também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.” (1Pe 2.5). Lutero e a reforma com a doutrina do “Sacerdocio Universal de Todos os Cristãos”.

Para exercer o papel ministerial do que fora o sacerdócio aronico, ou seja, ministrar sobre o povo de DEUS no Novo Testamento-Nova Aliança, Deus constituiu Pastores/as, Presbíteros/as e Bispos/as.

Vejamos a seguir mais sobre o pastoreio:

 

4) Pastoreio

Uma das nossas grandes contribuições como Igreja Metodista entre tantos modismos é a valorização do Pastoreio e da Palavra. Jesus mesmo nos ensinou isto quando: “Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.” (Mt 9.36). Ou quando deixou claro que o: “Bom pastor dá a vida pelas ovelhas".

Um dos nossos problemas que exige a valorização do pastoreio são os conceitos errados sobre o tema. Há quem esteja fazendo do pastoreio negócio, abrem-se igrejas em quantidade e muitos se autoconsagram pastores/as.

O/A pastor/a que as pessoas precisam é alguém que em tudo imita Jesus, o Grande Pastor, dá a vida pelo rebanho sem esperar reconhecimento. Diferente do que está posto hoje em muitos grupos, e que atrai até pastores/as de Igrejas Históricas, como a nossa.

Jesus era um pastor que nasceu sem casa, numa estrebaria, não teve onde reclinar a cabeça. É verdade que prometeu bênçãos aos que deixassem tudo e o seguissem, mas pergunto: Qual é a maior benção para a vida de um pastor/a senão vidas transformadas, um povo que ama a Deus e sua Palavra, e que discípula e cresce para Gloria de Deus. Este pastor/a não vê como prioridade ter um carro de luxo. Vestir roupa de grife, que são os apelos e modelo da sociedade burguesa e capitalista, adepta da ideologia da prosperidade. Sim, cremos na prosperidade, mas não nos modos da sociedade capitalista, mas no modelo bíblico de paz, justiça, saúde, e necessidades atendidas.

Quando um pastor/a procura se elevar e ter brilho, fama e dinheiro, encontra-se mais perto de Lucifer-Satanás do que de Jesus. Pois foi isto que Lucifer queria: “Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4.8-10). Se alguém ingressa no pastorado esperando alcançar regalias pessoais está com a motivação errada.

Não se pode negar a importância do sustento digno do ministério pastoral, especialmente aos que se afadigam no ensino da Palavra e nopastoreio. O subsídio pastoral deve ser visto com graça e liberalidade pela Igreja, é de extrema prioridade que o rebanho cuide e honre seu pastor/a, ainda que ele não busque isso, como alguns que existem infelizmente. É vital para Igreja do Senhor fazer crescer a autoridade pastoral num mundo que vaga sem pastor/a. Precisamos de referências de santidade, e isso precisa começar por nós, ainda que miseráveis pecadores, precisamos como Paulo crescer e dizer: Sede meus imitadores como eu sou de Cristo.

Vosso irmão na caminhada da fé e do Discipulado.

 

Bispo Paulo Lockmann

 

 

 

 


[1] Dufour, Xavier León, Vocabulário de Teologia Bíblica, Petrópolis, Ed. Vozes, 2002, p. 70-74.

 

[2] Hauret.C- Vocabulário de Teologia Biblica, Petrópolis, Ed. Vozes, 2002, pag. 817-819.

 

tr?id=228531294253728&ev=PageView&noscript=1