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“Ora, estes de Bereia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim. ” (Atos 17.11)

 

1 - A Propósito dos 500 anos da Reforma Protestante.

No próximo ano estaremos celebrando 500 anos da Reforma, evento que vai se iniciar com a celebração de um culto na noite de 31 de dezembro deste ano em Wittenberg, onde Martim Lutero publicou suas 95 teses. Tão vital quanto à afirmação dele, é que a salvação não se dá pelas obras, mas pela Graça mediante a Fé (Ef. 2.8-9), afirmações decisivas de Lutero para o Protestantismo Histórico, assim como a afirmação de que somente as Escrituras, disse Martim Lutero, e reafirmou com suas palavras João Wesley:

“As Santas Escrituras contêm tudo que é necessário para a salvação, de maneira que o que nelas não se encontre nem por elas se possa provar não se deve exigir de pessoa alguma para ser crido como artigo de fé, nem se deve julgar necessário para a salvação. Entende-se por Santas Escrituras os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamentos, de cuja autoridade nunca se duvidou na Igreja.” Por isso, neste mês de outubro, rogo que os irmãos e irmãs recordem e celebrem o ato de Lutero em 31 de Outubro de 1517. Pois representa o abrir de um novo tempo para a Igreja, a valorização e reconhecimento da autoridade das Escrituras para vida do crente e da Igreja. Mas vejamos um pouco mais sobre o papel decisivo da Bíblia como Palavra Viva do Deus Vivo.

 

2 - Por que a Bíblia é uma herança de fé?

“Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram.” (Hb 2.1-3)

Quando tantas heresias são disseminadas, quando falsos profetas manipulam o povo, conforme a denúncia da carta aos Hebreus é nosso dever recuperar, diante de pastores/as e membros de nossas igrejas locais, as bases bíblicas e doutrinárias que nos fazem discípulos/as de Cristo e herdeiros/as da fé de Lutero e Wesley, ainda que resumidamente.

É preciso antes reconhecer que essas heresias são cíclicas, surgem de diferentes formas em diferentes gerações. O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, disse: “... prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (2Tm 4.2-4). Paulo estava preocupado com a sã doutrina. Mas o que é a sã doutrina? Para responder a esta pergunta, há alguns dados claros na carta a Timóteo que nos servem de orientação.

Primeiramente, Paulo estava preso em Roma (cf. 2Tm 1.8,16-17), além disso, triste, porque alguns o haviam abandonado (cf. 2Tm 1.15; 4.14-16); e, ao que parece, não havia esperança de libertação (cf. 2Tm 4.16-18).

Ao que tudo faz crer, os que o abandonaram, nem todos o fizeram por medo da prisão, mas porque se desviaram da fé e do ensino doutrinário de Paulo; seria o caso de Demas, ou ainda de Himeneu e Fileto (cf. 2Tm 2.17; 4.10). Por isso, Paulo aconselha a Timóteo a permanecer na fé não fingida que já existia em sua avó Lóide, e em sua mãe Eunice, e assim apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, e que maneja bem a palavra da verdade. E isso Timóteo faria primeiramente reavivando o dom de Deus, que estava nele, recebido através da imposição das mãos do apóstolo Paulo.

Paulo valorizou a tradição apostólica, sentiu-se parte de uma história e de uma só Igreja, submetendo-se à autoridade da Igreja em Jerusalém (cf. Gl 1.18-19; 2.8-9). Hoje, nos assusta o fato de pessoas que se arvoram de mestres sem conhecerem a Bíblia, a História da Igreja e a Teologia, e se auto-intitulam bispos, mestres e até apóstolos, fundam Igrejas, e com arrogância pregam contra as demais Igrejas, e não estão sujeitos a nenhuma autoridade. Atenção! Cuidado com essa gente.

 

3 - Por que o conhecimento da Bíblia nos instrui e habilita? (2Tm. 3.14-17)

Mas você deve continuar a crer nas coisas que lhe foram ensinadas. Você sabe que elas são verdadeiras porque sabe que pode confiar naqueles que, dentre nós, lhe têm ensinado (1Tm 4.6); você sabe como as Sagradas Escrituras lhe foram ensinadas quando você ainda era bem pequeno; e são elas que o fazem sábio para aceitar a salvação de Deus pela confiança em Cristo Jesus. A Bíblia inteira nos foi dada por inspiração de Deus, e é útil para nos ensinar o que é verdadeiro, e para nos fazer compreender o que está errado em nossas vidas; ela nos endireita e nos ajuda a fazer o que é correto. (2Pe 1.20-21). Ela é o meio que Deus utiliza para nos fazer bem preparados em todos os pontos, perfeitamente habilitados para fazer o bem a todo mundo." (2Tm. 3.14-17)

Este texto bastante conhecido nos ajuda a ter uma visão bem prática da utilidade no dia a dia da Palavra de Deus. Vejamos por cada afirmação do texto:

 

A - A Escritura Sagrada é inspirada por Deus.

Isto significa que ela é sobrenatural, pois não vem de homens, mas da revelação e inspiração do Espírito de Deus. Sim, homens e mulheres movidos pelo Espírito Santo deixaram para nós as verdades nelas contidas. Ela é revelação e reveladora, ninguém passa incólume se confrontado com a Palavra. Ela trás a luz nossa vida e pecados, e nos inspira para a carreira cristã. Porque nenhuma profecia da Escritura jamais foi inventada pele próprio profeta. Foi o Espírito Santo, no íntimo desses homens de Deus, quem lhes concedeu mensagens verdadeiras da parte de Deus. (2Pe. 1,20-21)

 

B - A Escritura Sagrada é útil.

Temos uma noção equivocada do que é útil. Invariavelmente raciocinamos em termos monetários, ou seja, quanto vou ganhar com isso. Nesta filosofia materialista, capitalista, que só pensa em ganho, nossa situação como Igreja do Senhor fica ameaçada. Ou anunciamos a perda como ganho eterno e o ganho monetariamente como um risco constante de perda eterna ( Mt 16. 24-26 ). Reconheçamos que este Evangelho da perda para alcançar graça hoje e eternamente está fora de moda, muitos optaram por uma ideologia da prosperidade, desfigurando o Evangelho. A Bíblia quando fala em prosperidade tem ‘como referência uma sociedade agrícola pastoril, onde ser próspero era ter muitos filhos, gado ou ovelhas no campo e alimento farto na mesa, nunca acumulação de bens nos termos atuais a qualquer custo.

 

C - A Escritura repreende e corrige.

Esta é a parte difícil, não conheço ninguém, nem eu mesmo, que tenha como versículo preferido um texto forte de exortação, como "... aquele que chamar seu irmão de tolo será réu do fogo do inferno ..." (Mt. 5,22c), nossos textos são : "Elevo meus olhos para os montes de onde me virá o socorro ..." (Sl 121.1), e outros tantos semelhantes a este. Não gostamos de ser exortado. Acho graça de mim mesmo quando em busca de consolo diante de algum problema abro a Bíblia ao acaso em busca de uma Palavra de Deus para situação, e então encontro um texto exortativo. O que eu faço? Fecho e abro a Bíblia de novo dizendo: "Deus fala comigo nesta situação difícil que estou vivendo", como se o texto anterior não fosse Deus falando comigo. Eu, você, todos nós precisamos de repreensão e correção, afinal somos pecadores em busca da santificação. E a Bíblia provê isto para nós.

Muito mais poderia falar sobre como foi decisivo o protestantismo recuperar através da reforma a autoridade da Bíblia na vida e missão da Igreja, mas deixo estas breves lições com esperança de que seja útil a todos/as.

 

Bispo Paulo Lockmann

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