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Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” 
(Tiago 3.1-12)



Introdução:

Prometi na carta passada que o estudo sobre o Falar do Cristão seguiria na busca de uma santidade de mente e coração, como nos ensinou Jesus (Mc. 13.11), Paulo (Rm 3.13-14), e Wesley. 

Para Wesley, o modo de viver apontava se havia santidade de mente e coração, portanto vida que pertencia totalmente a Deus. Neste zelo expulsou muitos das Sociedades Metodistas. Vejam em suas palavras porque fez isto: 

Trecho do Diário de João Wesley pg. 40 e 41.
“O número dos que foram expulsos da Sociedade era sessenta e quatro: Dois por causa de blasfêmia. Dois por profanar o Dia do Senhor. Dezessete por embriaguês. Dois por vender bebidas alcoólicas. Três por brigas. Um por bater na esposa. Três por contar mentiras habitualmente. Quatro por ter ralhado e falado mal de outros. Um por preguiça e vadiação. E vinte e nove por mundanismo e leviandade.”


III) Atitudes corretas com respeito ao falar

1) Poucas palavras e com calma – Pv 17.27-28.
Do mesmo modo que já vimos os ânimos se exaltarem com palavras duras, muitos de nós já vimos uma discussão acalorada ser diminuída, ou mesmo extinguida por uma palavra branda, conciliadora. Precisamos ser pessoas que, antes de tudo, promovem a paz e a reconciliação ao falar. Trata-se de exercitar a postura da mansidão. Isso implica exercer o domínio próprio. Um cristão maduro não pode ser de “pavio curto”, isto para usar um termo muito popular. Tampouco sermos como o outro ditado: “eu não levo desaforo para casa”. Muitas vezes, em favor da paz, teremos que levar desaforo para casa; isso para acalmar os ânimos e poder retornar ao assunto posteriormente.

2) Falar com objetividade e clareza – Mt 5.37
O púlpito, a conversa em grupo, ou nas redes sociais, precisam expressar clareza e objetividade. Pois como é fácil as palavras serem deturpadas, sim nossas palavras depois de proferidas ou digitadas ganham vida própria, podendo ferir, dividir e adquirir sentido que nunca pensamos dar, e ai então somos obrigados a dizer; “Não foi isso que eu disse, me entenderam mal.”
Muitos homens públicos são especialistas em divagarem sobre o nada e lugar nenhum. Tal postura é iníqua, promove o engano. Jesus nos ensinou: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim, não, não. O que disto passar vem do maligno.” (Mt 5.37). Jesus recomendava uma palavra clara, sem engano ou dubiedade.

3) Falar agradável – Pv 16.24 e Cl 4.6
É impressionante o clima que se cria em um grupo de pessoas onde há alguém cuja linguagem e palavras são de fé, esperança, confiança. Diferentemente de um ambiente marcado pela lamentação e o pessimismo, o ambiente marcado pelo bom humor, fé e esperança é fruto de lábios que confessam ser Jesus o Senhor. Se você cultiva uma palavra agradável, baseada na confiança em Deus, Ele vai trazer a você pessoas carentes de ouvir, e Deus vai usar você para instruir e edificar vidas.
Pedro, diante de um discurso desafiador de Jesus, e em face da desistência de muitos judeus, falou com Jesus, dizendo: “Para onde iremos Senhor, só tu tens as palavras de vida eterna.” (Jo 6.68). Palavras agradáveis não precisam ser bajuladoras ou falsas, mas sempre há algo bom a ser aprendido numa circunstância difícil, e ajudar as pessoas a perceberem isso é recuperar a fé e a esperança entre elas.
Provérbios, no texto indicado, diz que as palavras agradáveis, amorosas são medicina para o corpo, ou seja, podem ajudar as pessoas a crerem e assumirem uma postura de fé diante da luta, da doença, e com isso serem curadas.

4) Falar dos atos de Deus na sua vida – Ml 3.16, At 4. 19-20
A atitude de ser, diante das pessoas, porta-voz de Deus, alguém que tem coisas impressionantes para contar. Testemunhos de uma vida no temor de Deus. O profeta Malaquias descreve a postura e o ânimo dos fiéis no meio do povo de Deus, testemunhavam como diz o Salmista, no meio da congregação, e por isso se levantava um memorial, uma recordação em louvor aos atos de Deus.
Uma atitude corajosa de quem não se envergonha, e não se intimida de falar das grandezas do Senhor. Como os discípulos, não querem deixar de falar das coisas que viram e ouviram.

5) Calar em vez de falar – Pv 13.3, 10.19, 11.12, Mt 27.13-14
Muitos de nós somos falantes, somos estimulados no meio da igreja a nos expressarmos, a darmos nossa opinião, principalmente quando exercemos uma liderança. Por essa razão, frequentemente, falamos demais. O salmista diz: “...aquietai-vos e sabei que eu sou Deus.” Jesus foi levado como ovelha muda, não abriu a boca. Muitas vezes a nossa atitude deve ser a de ficar calado. O silêncio é a melhor resposta. Esta foi a postura de Jesus.


IV) Falar adequado ao cristão

1) Falando, ensinando e memorizando a Palavra de Deus – Dt 6.6-7, Ed 7.10
Na corrida tecnológica do nosso tempo, a informática é uma das que recebem mais investimento, as mudanças são aceleradas, a capacidade dos computadores de armazenar informações e realizar tarefas cresce assustadoramente. A capacidade de memorização dos computadores cresce enquanto a nossa diminui, não precisamos reter muita coisa na mente, as agendas eletrônicas e os computadores o fazem para nós. Mas, sem dúvida, há tradições bíblicas que podem nos ajudar no nosso falar. Trata-se de programar a nossa memória (mente e coração) com a Palavra de Deus. A Bíblia mesmo ensina que: “...a boca fala do que está cheio o coração.” (Lc 6.45). Seria de bom senso voltarmos a estimular nossos irmãos e irmãs a memorizarem a Palavra de Deus. Recordemos o propósito de Esdras. Para onde se inclina o nosso falar?

2) Falando com a sabedoria de Deus – Ec 12.11, Pv 10.31-32, Is 6.20-21
Em meio aos conselhos dos insensatos que ocupam espaço na mídia, propagando ideias de todas as formas, pregando uma ética de resultado onde os fins justificam os meios, ficamos como o salmista: “Socorro, Senhor! Já não há homens piedosos.” (Sl 12.1). Diante desse quadro, urge que nós que conhecemos a Deus e a sua Palavra, tratemos de neutralizar ao máximo em nosso meio, tais influências danosas entre nossos filhos, e mesmo na sociedade em geral. Por exemplo, surgiu em nosso meio o conceito de “politicamente incorreto”. O que é isso? Trata-se de posição que venhamos a assumir e vá contra o senso da maioria dos formadores de opinião. Um exemplo é reagir contra o reconhecimento do homossexualismo como sexualidade legítima. Corre-se o risco de ser processado. Com isso, a postura de aceitar o “senso”, a sabedoria humana tenta se sobrepor à sabedoria de Deus. Cabe a nós a teimosia profética: “... Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem da escuridão luz, e da luz escuridade; põem o amargo por doce, e o doce por amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e prudentes em seu próprio conceito!” (Is 5.20-21).

3) Falando Cristocentricamente – Gl 2.20, Lc 24.32
Nós perdemos muito tempo falando assuntos que não edificam, e, pior, põem em risco nossa integridade.
Devemos ter uma conversa na qual Cristo seja o centro, o alvo. Trata-se de garantir que a nossa fala promova os valores do Evangelho, como perdão, justiça e amor. Haja sempre um ponto de convergência: Jesus e seu ensino. Não percamos isso de vista, no pensar e no falar.

4) Falar espiritual – Ef 5.19
Trata-se de dar continuidade a um falar cristocêntrico; mas  agregar a sensibilidade do discernimento do Espírito. Muitas vezes as pessoas buscam conversar conosco e nos provam, ou com linguagem irreverente, ou com uma fala cheia de subterfúgios, dando exemplos de “terceiros”, quando na verdade tais “terceiros” são elas mesmas. Se nós discernirmos, não faremos afirmações conclusivas, mas, orientados por Deus, estimularemos a confiança da pessoa a se expor mais, assim chegamos à questão principal, quando então podemos dar uma palavra espiritual (inspirada), vinda de Deus para aquela pessoa.
O falar espiritual reúne o falar com sabedoria, e o falar cristocêntrico visa a transmitir graça e verdade aos que nos ouvem. É o que se espera de um cristão maduro quando abre sua boca, sim, que transmita bênção aos que o ouvem. Isso deve também ser a marca do louvor na Igreja.

5) Falar confortador – Is 50.4
O cristão maduro precisa ser alguém que, quando fala, não lança mais carga sobre o pecador. O profeta fala de língua de erudito, para dizer boa palavra ao cansado.
Nossas igrejas muitas vezes nem têm um ministério de recepção. As pessoas entram e a única oportunidade de receberem uma palavra de alívio é através dos cânticos, ou através da pregação. Não deveria ser assim. Deveríamos ter cartões com boas palavras aos cansados, ter um ministério de recepção, com pessoas simpáticas e prontas a dar um conselho edificante e consolador. Certamente mais visitantes retornariam ao nosso meio.
Nesses termos, como nossos irmãos reagiriam e conversariam se um jovem todo tatuado, com piercing no nariz, nos lábios, nas orelhas chegasse à igreja? Seria recebido com palavras agradáveis e confortadoras, ou exortação e sentença de morte?
Precisamos exercitar no meio de nossas igrejas o ministério do acolhimento, conforto e hospitalidade, e isso começa com o nosso rosto e nossas palavras.

6) Palavra do amor e da reconciliação – Mt 18.15-16, Mt 5. 23-24
Enquanto há muitos neste mundo que investem tempo na palavra da intriga e da fofoca, nós, cristãos, investimos na palavra do amor e da reconciliação. Por ela devemos nos empenhar com todas as nossas forças.
“Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão". 

Nosso procedimento acerca de um irmão que fez algo errado não é falar dele para os outros, contando o fato. Mas, sim, procurar este irmão, perdoá-lo, buscar o entendimento, se necessário com ajuda de outro irmão, mas nunca espalhando o comentário na forma de maledicência, por mais que você entenda ter sido injustiçado. Em última análise, Deus é o nosso Juiz; deixe que Ele faça justiça. "Não retribua o mal com o mal, mas retribua o mal com o bem."   (Rm 12.17 e 21)

IV) Conclusão
Reconheço que ficou longo este estudo, mas é resposta a uma questão que sempre retorna ao nosso meio: maledicência. Enfim, creio que tantos textos bíblicos deveriam nos fazer pensar e mudar de procedimento, certamente estaremos construindo uma Igreja mais unida e por isso mais madura. Que Deus nos abençoe nesta santa tarefa.


Com um abraço do seu bispo

Paulo Lockmann

 

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