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A 1º Conferência Internacional de Missão Integral Cultura Surda no Rio de Janeiro aconteceu nos dias 2 e 3 de julho, na Catedral Metodista do Rio de Janeiro, com a participação de 250 pessoas de várias denominações evangélicas do Estado, entre surdos e ouvintes. Com o tema “Todo o Evangelho para todo o povo” foi enfatizada a inclusão da pessoa surda na comunidade cristã, a valorização de dons e a cultura surda.

O pastor titular da Catedral Metodista do Rio, Marcelo Fraga, fez a abertura do evento, agradecendo a participação de todos e manifestando alegria de estar acolhendo essa primeira Conferência.

Pela primeira vez em solo fluminense, o evento foi idealizado a partir de uma sugestão do pastor Wesley Soares Nascimento, titular da Igreja Metodista Central de Belo Horizonte (MG), ao pastor Clóvis Paradela, da Igreja Metodista de Botafogo (RJ) e integrante da Conexão Wesleyana do Estado do Rio de Janeiro. A proposta surgiu após a  realização do 3º Congresso de Cultura Surda na Metodista Central de BH, primeiro evento internacional envolvendo o tema, que  contou com a presença de uma equipe da Global Ministry of Deaf (Ministério Global para Surdos), ligada ao Concílio Mundial Metodista.

Foi uma programação intensa, descontraída e com muitos momentos de comunhão e troca de experiências, contanto com palestras, pregações e workshops. Os períodos de louvor foram de responsabilidade dos ministérios da Catedral Metodista (RJ), de Surdos Emanuel de Belo Horizonte e do Deaf Dance Company Emanuel Metodista, também de BH.

“Segundo uma pesquisa do IBGE, em 2010 havia 156 mil surdos no Estado do Rio de Janeiro. Pesquisando encontrei no site do Detran um outro indicativo, de que no Brasil existem 400 mil surdos. ‘Como crerão se não há quem pregue?’ Diz a bíblia. Então, eu pergunto como vão crer se não há quem interprete? Precisamos ter uma igreja inclusiva ao deficiente físico, visual, auditivo. E no caso dos surdos precisamos ter intérpretes em nossas igrejas, para que a mensagem de Cristo seja levada a eles também”, destacou pastor Clóvis.

Em sua fala, na abertura do evento, o pastor Wesley ressaltou a importância da pessoa surda no Reino de Deus: “Agostinho, um antigo religioso católico, acreditava que os surdos não poderiam receber a Palavra de Deus porque ‘a fé vem pelo ouvir’. Por esse motivo eram ignorados. Mas ouso dizer que Agostinho estava enganado, porque os surdos ouvem com os olhos, com as mãos e principalmente com o coração!”.

Deus de perto e de longe

Um fato inusitado foi a presença do bispo norte-americano James Swanson, da Região Eclesiástica do Mississipi (EUA). Em visita ao Brasil, acompanhado de sua esposa, o bispo compareceu a Conferência de forma espontânea e se sentiu impactado.

“Eu, um bispo metodista, precisei vir ao Brasil para conhecer o trabalho metodista com os surdos no mundo. Saio daqui maravilhado e disposto a iniciar esse ministério na minha igreja. E faço questão que o pastor Thomas compareça ao nosso Concílio para falar sobre esse trabalho missionário”, disse o bispo emocionado. 

Ministério em BH

A Metodista Central de Belo Horizonte tem feito diferença com o evangelismo de pessoas surdas. Há cerca de quatroanos, sob a liderança do pastor Ronilson Lopes (também responsável pela Pastoral das Pessoas com Deficiências da 4ª RE), conta com 137 membros surdos, por meio do Ministério Emanuel.  A Igreja desenvolve atividades de discipulado, dança, teatro e música com os surdos.

“A Igreja em BH está fazendo história por ter criado o maior  ministério metodista com surdo. Há quatros anos eram oito pessoas, hoje são mais de 130. O Espírito Santo está trabalhando no meio dos surdos aqui no Brasil. O Ministério Emanuel é prova disso. Vocês são testemunhas desse agir, e oro para que o Senhor faça mais nessa nação!”, enfatizou o pastor norte-americano surdo Dr. Thomas, presidente da Global Ministry of Deaf.

Trabalhos com surdos ao redor do mundo

No período da manhã de sábado, o evento foi marcado pela palestra do pastor surdo Dr. Thomas Hudspeth (EUA), que  é titular da Igreja Metodista em Lovers Lane, em Dallas, Texas (EUA) e presidente da Global Ministry of Deaf.

Após apresentar a equipe que o acompanhava, ele fez uma detalhada apresentação sobre o trabalho metodista com surdos ao redor do mundo. Oficialmente acontecem ações em 12 países, mas ele destacou apenas seis locais: Nairobe, Nija e Kaaga, no Quênia (África); Sri Lanka e Coreia do Sul (Ásia) e Texas (EUA).

Segundo o pastor Thomas, a Igreja Metodista no Quênia é bastante forte. Em 2013, na capital Nairóbi, aconteceu a 3ª Conferência Metodista Mundial de Surdos. Lá também foi ordenada a primeira pastora surda do país, Margareth Mukani. Ela enfrentou muitas dificuldades para ser aceita como líder. Mas recebeu apoio e capacitação em Teologia, estudou em faculdades nos EUA e no Quênia. Atualmente desenvolve atividades evangelísticas e de Escola Dominical com os surdos locais e também da cidade de Meru.

Atualmente o Quênia conta com 37 escolas para surdos no país e, segundo o pastor Thomas, é o terceiro país referência no ensino da Língua de Sinais. Na cidade de Naaga existe uma escola só para surdos, que conta com suporte da Igreja Metodista Unida de Lovers Lane (Dallas/EUA), que além de doações financeiras e materiais, faz capacitação de professores e funcionários da instituição buscando estratégias para melhorar a comunicação e o ensino da Língua de Sinais do Quênia. A escola atende 200 alunos, de 5 a 25 anos, que estudam em tempo integral ou sistema de internato.

Em Nija, cidade a 45 minutos da capital Nairóbi, há uma escola especial só para surdos e pessoas com necessidades especiais. O pastor Thomas conta que em 2002 existiam apenas 13 alunos, mas em 2013 já atendiam a 160 crianças. “Nessa instituição nosso trabalho maior foi o de encorajar os professores a não desistirem. Doamos materiais, máquinas de lavar e secar roupas”, disse o pastor Thomas.

Além da capacitação de pessoal e doações diversas, a Igreja Metodista também se empenha em promover informação sobre prevenção a AIDS.

Localizado ao sul da Índia, o país do Sri Lanka conta com 49 mil crianças surdas, sendo que apenas 5.700 recebem educação adequada, informou pastor Thomas.

Desde 2001, um pastor ouvinte, reverendo Gana, conhecedor da Língua de Sinais do país, iniciou um ministério com surdos. “Ele estudou um ano na Inglaterra para aprimorar seus conhecimentos e desde então desenvolve um forte trabalho com surdos”, contou pastor Thomas.

Já na capital Colombo existem duas igrejas que trabalham com surdos usando de várias estratégias de ensino e inserção da pessoa surda na comunidade cristã e também na sociedade.

Um dado interessante sobre a Igreja Metodista da Coreia do Sul, segundo pastor Thomas, é que ela tem vários líderes com deficiência auditiva e 13 igrejas para surdos. E vão além, “eles apoiam e treinam surdos e capacitam ouvintes, o que na minha opinião é o melhor sistema de trabalho. A igreja também prepara e envia missionários surdos para vários locais do mundo, como China, Sri Lanka, Japão e Guam”, informou pastor Thomas. 

O atual presidente da Federação Metodista Mundial de Surdos é sul coreano.

Igreja norte-americana

Nos EUA, o evangelismo e trabalhos com pessoas surdas são centenários. A igreja onde o pastor Thomas Hudspeth é titular, conta com dois professores de Língua de Sinais americana e desde o século dezenove investe na educação dos deficientes auditivos. “Várias escolas foram criadas por meio de pastores metodistas que perceberam que os surdos precisavam ser capacitados, valorizados e amados”, relatou o pastor Thomas.

Ele conta ainda que em 1863 foi criada a primeira universidade para surdos, a Gallaudet University, em Washington D.C. Mas apenas em 1890, começaram os trabalhos dentro das igrejas com os surdos. “Por meio da educação o surdo pode se tornar líder, educador, cidadão”, afirmou pastor Thomas.

Em 1978, a Igreja Metodista Unida realiza o seu primeiro congresso para surdos. Na ocasião, é criado o primeiro grupo de líderes cristãos para o Ministério com Surdos. Atualmente o ministério conta com 10 integrantes, entre surdos e ouvintes. “A Igreja Metodista tem se esforçado para ajudar os surdos, surdo-cegos e deficientes de modo geral. E esse grupo de trabalho visa à capacitação e o apoio a igrejas, a grupos e a pessoas que queriam trabalhar com essa comunidade”, explicou pastor Thomas.

Workshops e testemunho

A equipe que veio acompanhando o pastor Thomas Hudspeth esteve composta por três pessoas: um professor, uma intérprete e uma missionária. Todos costearam as próprias despesas para estarem ministrando nas conferências realizadas em BH e no Rio de Janeiro.

Os temas dos workshopps foram: Cultura Surda, com o professor surdo Henry Whalen (Canadá), American Sign Language (ASL), com a intérprete Andrea Raye (EUA) e Música e Corais em Sinais, com a missionária Sandy Saunders (EUA).

Outro ponto marcante do evento foi o testemunho pessoal do pastor Thomas Hudspeth. Ele usou o tema ‘Deus chamou a todos’, baseado em Isaías 49:14-16  e destacou : “Cristo tem o nosso nome gravado nas palmas de suas mãos”.

Apesar de ter nascido com um problema auditivo grave, pastor Thomas sempre estudou em escola de ouvintes e foi estimulado a se comunicar oralmente. Ele disse que lembra quando viu pela primeira vez um grupo de crianças surdas. “Eu tinha cerca de 9 anos e estava com o meu pai em um museu. As vi falando em sinais e fiquei constrangido, porque não falava com crianças surdas e era estimulado a falar o pouco que conseguia. Fiquei assustado e me escondi atrás do meu pai”.  

Pastor Thomas chegou a cursar direito, mas não conseguiu terminar. Ficou desiludido e começou a buscar de Deus o que o Senhor queria para a sua vida. Durante um período que passou na Nova Zelândia recebeu uma ligação do seu pai, que era um pastor metodista, e ele lhe disse: “Filho sei que você está com muitos questionamentos, mas faça aquilo que Deus quer. Você tem um chamado pastoral e precisa aceita-lo”. 

Ao voltar para os EUA, pastor Thomas foi estudar Teologia e passou a orar perguntando a Deus que tipo de pastor ele deveria ser.

Em 1989, foi visitar uma igreja de surdos em Oklahoma, dirigida por um pastor ouvinte. Um homem surdo se aproximou dele e começou a falar que pertencia àquela comunidade. “De volta a minha cidade Deus começou a falar comigo: ‘Tom, você vai aprender Língua de Sinais e servir a pessoas surdas! ’. Irmãos foram três horas dizendo ‘sim Senhor’!”. E continuou: “Por anos negligenciei o meu lado surdo. E, naquele momento, Deus quis que eu usasse esse meu lado. Então, passei a me sentir completo”.

Pastor Thomas estudou Línguas de Sinais Americana e hoje serve a Deus numa igreja para surdos e se tornou líder mundial no trabalho com pessoas com deficiência auditiva.  

Chamado para o ministério com surdos

Pastor Ronilson Lopes é ouvinte, de origem batista e possui mais de 30 anos de experiência com o evangelismo de pessoas surdas. Direcionado por Deus desenvolve há cerca de quatro anos um ministério específico com surdos na Igreja Metodista Central de BH, com o Ministério Emanuel .

Desde a adolescência, antes mesmo que conhecer a Cristo, já se relacionava com pessoas surdas. Ao se converter, em 1982, conheceu um missionário surdo na igreja que frequentava. Aproximou-se desse homem de Deus, passou a aprender mais sobre a comunicação por meio dos sinais, que na época ainda não era a Língua Brasileira de Sinais (Libras), mas era conhecida como mimica.

“Nunca pensei em ter um ministério só para surdos, mas em 1996, durante um propósito de oração Deus falou comigo: ‘Eu te chamei para pregar para surdos e não somente para ouvintes. E desde então faço isso”, testemunha o pastor.

Formado em psicologia, pastor Ronilson se sentiu direcionado por Deus a levar um projeto com surdos para a Metodista Central de BH. “Foi tudo muito de Deus, porque ao visitar a igreja num domingo conversei com o pastor Welsey , que logo abraçou a ideia e abriu as portas para nós”, explica o pastor Ronilson.

“De oito foi para 15 e em quatro meses tínhamos 35 surdos. Posteriormente, inauguramos o Ministério Emanuel com cerca de 50 pessoas surdas, sendo 10 ouvintes. Hoje temos uma célula na igreja, todas as sextas-feiras, de oração e estudo da Palavra. Aos sábados temos um culto só para surdo. Além disso, fazem parte das programações um congresso e acampamento anual, e contamos com seis casais de diáconos surdos e um pastor surdo. Criamos o grupo de dança Deaf Dance, além de um coral. Fazemos evangelismo, visitação, trabalho de conscientização nas igrejas ouvintes e tudo o mais que o Senhor nos abre a porta para fazer”, conta pastor Ronilson.

“Deus tem feito esse trabalho prosperar. Nosso último acampamento tinha mais de 250 pessoas surdas de todo o país. A igreja ouvinte ainda é muito resistente a interação com os surdos. Mas graças a Deus contamos com o apoio do nosso bispo (Roberto Alves, 4ªRE) e do pastor local, e seguiremos em frente até onde deus nos levar”, finaliza o pastor Ronilson.

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