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Diante de tantos artigos sobre a Reforma Protestante, Seminários Temáticos e Comemorativos sobre a vida e obra dos reformadores (ou daqueles que emprestaram seus nomes aos livros de história para escrevê-la) não tenho a pretensão de dizer que este seja mais um texto que vá mudar radicalmente tudo o que você já conhece sobre os motivos da Grande Reforma.

Meu interesse, neste breve artigo, é que você passeie comigo no passado da Igreja para a gente poder entender um pouquinho o nosso presente e, quem sabe, arriscar um palpite para o futuro do protestantismo no Brasil e no mundo.

Existe muita literatura, até filmes sobre o assunto e mesmo uma rápida pesquisa na Internet poderá lhe dar mais subsídio sobre a rica história da Reforma Protestante, que tem seu marco histórico na manhã do dia 31 de outubro de 1517 quando Martinho Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg, Alemanha, um pergaminho que continha noventa e cinco teses ou declarações, quase todas relacionadas com a venda de indulgências; porém em sua aplicação atacava a autoridade do papa e do sacerdócio.

Anotemos, então, algumas das forças que conduziram à Reforma e ajudaram o seu progresso. Uma delas foi, o movimento conhecido como Renascença, ou despertar da Europa para um novo interesse pela literatura, pelas artes e pela ciência.

A maioria dos estudiosos desse período eram homens destituídos de vida religiosa; até os próprios papas dessa época destacavam-se mais por sua cultura do que pela fé. No norte dos Alpes Suíços, na Alemanha, na Inglaterra, e na França o movimento possuía sentido religioso, despertando novo interesse pelas Escrituras, pelas línguas grega e hebraica, levando o povo a investigar os verdadeiros fundamentos da fé, independente dos dogmas de Roma.

A invenção da imprensa veio a ser um arauto e grande aliado da Reforma que se aproximava. A imprensa possibilitou o uso comum das Escrituras, e incentivou a tradução e a circulação da Bíblia em todos os idiomas da Europa. As pessoas que liam a Bíblia, prontamente se convenciam de que a igreja papal estava muito distanciada do ideal do Novo Testamento. Os novos ensinos dos Reformadores, logo que eram escritos, também eram rapidamente publicados em livros e folhetos, e circulavam aos milhões em toda a Europa.

O papa reinante, Leão X, em razão da necessidade de avultadas somas para terminar as obras do templo de S. Pedro em Roma, permitiu que um seu enviado, João Tetzel, percorresse a Alemanha vendendo bulas, assinadas pelo próprio papa, as quais, se dizia, possuíam a virtude de conceder perdão de todos os pecados, não só aos possuidores da bula, mas também aos parentes e amigos, mortos ou vivos, em cujo nome fossem compradas as bulas, sem necessidade de confissão, nem absolvição pelo sacerdote. Tetzel fazia esta afirmação ao povo: “Tão depressa o vosso dinheiro caia no cofre, a alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu.” Lutero, por sua vez, começou a pregar contra Tetzel e sua campanha de venda de indulgências, denunciando como falso esse ensino. Daí por diante é fácil entender todo o processo que culminou no que chamamos de Reforma Protestante.

Permita-me, agora, fazer uma interrupção no contexto histórico da Reforma Protestante e, depois de haver lembrado um pouco da situação social e religiosa daquela época, apontar para o que vemos hoje no protestantismo brasileiro e mundial.

A não ser que eu esteja equivocado ou enxergando as coisas com olhos muito tendenciosos e até mesmo, por que não dizer? Preconceituosos. O que vejo hoje, quando ligo minha televisão em alguns programas “evangélicos”, é a clara tentativa de, novamente, em nome do ego dos novos “messias”, “apóstolos” e “missionários” dar preço à Graça de Deus para construírem seus suntuosos templos e sustentar sua própria imagem na mídia.

Eles não têm nada de novo a dizer, não desejam que o povo viva o verdadeiro Evangelho de Cristo, quando muito, que tenham até um certo acesso à Bíblia, mas sempre com a “visão” e, é claro, o filtro do “inspirado homem de Deus”, sem o qual qualquer outra luz lançada sobre o texto bíblico é chamada instantaneamente de heresia ou falta de fé, mesmo que para isso seja necessário abrir mão do bom senso.

Atualmente não chamamos de indulgências porque pegaria mal, mas chamamos de oferta de sacrifício. Eu oferto a Deus, algumas vezes o que não posso, e Ele me abençoa. Simples. Minha fidelidade está relacionada ao desprendimento que tenho do dinheiro e não necessariamente com uma vida de santidade bíblica e compromisso com Deus e com meu/minha irmão/irmã.

Só para me fazer entender melhor, não estou de modo algum desqualificando o momento da oferta em nossos cultos muito menos o princípio de fidelidade que ela representa. Ela é necessária sim. Com ela enviamos e sustentamos obreiros nos campos missionários, abrimos novas frentes de trabalho e evangelismo, ajudamos pessoas carentes. O reverendo John Wesley ensinava sua comunidade a ganhar o máximo de dinheiro que pudesse, economizar o quanto conseguisse e ofertar todo dinheiro que fosse capaz para ajudar aos pobres. Sim eu vejo tudo isto, mas o dinheiro não pode ser o centro de nossa teologia e liturgia, caso contrário faremos dele o fim e não o meio.

Uma das muitas coisas que aprendi, na Faculdade de Teologia, é o que meu professor sempre dizia: “através de mim e apesar de mim Deus continua a fazer sua obra.” Vejo muito joio na Igreja, mas também há trigo. Eu creio na soberania de Deus e no agir do Espírito Santo na vida de homens e mulheres que não se deixam seduzir pelas vaidades humanas e a tentação de escolher o caminho mais fácil ou mais cômodo de experimentar um evangelho que seja insípido ou mal iluminado, mas que seja moda.

Existe um clamor crescendo e aos poucos ganhando voz nos corredores da Igreja, desejando uma profunda e sincera revisão dos modismos e ventos de doutrinas que se espalham por toda a terra.

Eu continuo orando por um grande e genuíno avivamento, ou se você preferir, Reforma na Igreja, no Brasil e no mundo, mas a grande onda de “revivals” que tem acontecido em nossos dias, algumas vezes tem trazido consigo aberrações teológicas, não quero dizer que uma reforma litúrgica seja má em si mesma, pelo contrário, creio que da mesma forma que nossa sociedade e sua linguagem se modificam com o passar do tempo, temos que tornar a mensagem e a revelação do evangelho claros, inteligíveis e contextualizados. Mas alguns movimentos, em busca de um culto mais moderno acabam cedendo à tentação de percorrer caminhos muito próximos de um emocionalismo vazio, provocam experiências das mais diversas, que dão lugar à atitudes, pensamentos e teologias sem qualquer reflexão bíblico-teológica mais profunda. Mudam o exterior e a aparência de seus cultos, mas suas práticas estão longe da verdadeira mudança que precisam experimentar. Da mesma forma uma igreja que não experimente uma fé viva e apaixonada e que se emoldura no quadro da história, não consegue reagir e não tem nada de novo a dizer para o meio onde está inserida.

Hora o ceticismo religioso e o enrijecimento da experiência da fé, hora crenças místicas e gnósticas têm sido inseridas em todo o contexto protestante brasileiro, travestida de uma avalanche do “eu sinto”, “Deus me falou”, “fui na casa do profeta” e etc. Sei que estou falando com todos os tipos de tendências: carismáticos, conservadores, liberais e qualquer outro grupo que haja em nosso meio. A Igreja não precisa de bandeiras políticas ou separatistas, não precisa de nada novo e ao mesmo tempo, não precisa de nada velho, só precisa de homens e mulheres que estejam sinceramente interessados em se colocar nas mãos de Deus para se deixar ser reformado e reformar sua nação e igreja e pagar o preço por isto. Este é o Espírito da Reforma.

 

Sugestão de leitura: GONZALEZ, Justo L. A era dos reformadores, São Paulo, 2004, Ed. Vida Nova.

Diante de tantos artigos sobre a Reforma Protestante, Seminários Temáticos e Comemorativos sobre a vida e obra dos reformadores (ou daqueles que emprestaram seus nomes aos livros de história para escrevê-la) não tenho a pretensão de dizer que este seja mais um texto que vá mudar radicalmente tudo o que você já conhece sobre os motivos da Grande Reforma.

Meu interesse, neste breve artigo, é que você passeie comigo no passado da Igreja para a gente poder entender um pouquinho o nosso presente e, quem sabe, arriscar um palpite para o futuro do protestantismo no Brasil e no mundo.

Existe muita literatura, até filmes sobre o assunto e mesmo uma rápida pesquisa na Internet poderá lhe dar mais subsídio sobre a rica história da Reforma Protestante, que tem seu marco histórico na manhã do dia 31 de outubro de 1517 quando Martinho Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg, Alemanha, um pergaminho que continha noventa e cinco teses ou declarações, quase todas relacionadas com a venda de indulgências; porém em sua aplicação atacava a autoridade do papa e do sacerdócio.

Anotemos, então, algumas das forças que conduziram à Reforma e ajudaram o seu progresso. Uma delas foi, o movimento conhecido como Renascença, ou despertar da Europa para um novo interesse pela literatura, pelas artes e pela ciência.

A maioria dos estudiosos desse período eram homens destituídos de vida religiosa; até os próprios papas dessa época destacavam-se mais por sua cultura do que pela fé. No norte dos Alpes Suíços, na Alemanha, na Inglaterra, e na França o movimento possuía sentido religioso, despertando novo interesse pelas Escrituras, pelas línguas grega e hebraica, levando o povo a investigar os verdadeiros fundamentos da fé, independente dos dogmas de Roma.

A invenção da imprensa veio a ser um arauto e grande aliado da Reforma que se aproximava. A imprensa possibilitou o uso comum das Escrituras, e incentivou a tradução e a circulação da Bíblia em todos os idiomas da Europa. As pessoas que liam a Bíblia, prontamente se convenciam de que a igreja papal estava muito distanciada do ideal do Novo Testamento. Os novos ensinos dos Reformadores, logo que eram escritos, também eram rapidamente publicados em livros e folhetos, e circulavam aos milhões em toda a Europa.

O papa reinante, Leão X, em razão da necessidade de avultadas somas para terminar as obras do templo de S. Pedro em Roma, permitiu que um seu enviado, João Tetzel, percorresse a Alemanha vendendo bulas, assinadas pelo próprio papa, as quais, se dizia, possuíam a virtude de conceder perdão de todos os pecados, não só aos possuidores da bula, mas também aos parentes e amigos, mortos ou vivos, em cujo nome fossem compradas as bulas, sem necessidade de confissão, nem absolvição pelo sacerdote. Tetzel fazia esta afirmação ao povo: “Tão depressa o vosso dinheiro caia no cofre, a alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu.” Lutero, por sua vez, começou a pregar contra Tetzel e sua campanha de venda de indulgências, denunciando como falso esse ensino. Daí por diante é fácil entender todo o processo que culminou no que chamamos de Reforma Protestante.

Permita-me, agora, fazer uma interrupção no contexto histórico da Reforma Protestante e, depois de haver lembrado um pouco da situação social e religiosa daquela época, apontar para o que vemos hoje no protestantismo brasileiro e mundial.

A não ser que eu esteja equivocado ou enxergando as coisas com olhos muito tendenciosos e até mesmo, por que não dizer? Preconceituosos. O que vejo hoje, quando ligo minha televisão em alguns programas “evangélicos”, é a clara tentativa de, novamente, em nome do ego dos novos “messias”, “apóstolos” e “missionários” dar preço à Graça de Deus para construírem seus suntuosos templos e sustentar sua própria imagem na mídia.

Eles não têm nada de novo a dizer, não desejam que o povo viva o verdadeiro Evangelho de Cristo, quando muito, que tenham até um certo acesso à Bíblia, mas sempre com a “visão” e, é claro, o filtro do “inspirado homem de Deus”, sem o qual qualquer outra luz lançada sobre o texto bíblico é chamada instantaneamente de heresia ou falta de fé, mesmo que para isso seja necessário abrir mão do bom senso.

Atualmente não chamamos de indulgências porque pegaria mal, mas chamamos de oferta de sacrifício. Eu oferto a Deus, algumas vezes o que não posso, e Ele me abençoa. Simples. Minha fidelidade está relacionada ao desprendimento que tenho do dinheiro e não necessariamente com uma vida de santidade bíblica e compromisso com Deus e com meu/minha irmão/irmã.

Só para me fazer entender melhor, não estou de modo algum desqualificando o momento da oferta em nossos cultos muito menos o princípio de fidelidade que ela representa. Ela é necessária sim. Com ela enviamos e sustentamos obreiros nos campos missionários, abrimos novas frentes de trabalho e evangelismo, ajudamos pessoas carentes. O reverendo John Wesley ensinava sua comunidade a ganhar o máximo de dinheiro que pudesse, economizar o quanto conseguisse e ofertar todo dinheiro que fosse capaz para ajudar aos pobres. Sim eu vejo tudo isto, mas o dinheiro não pode ser o centro de nossa teologia e liturgia, caso contrário faremos dele o fim e não o meio.

Uma das muitas coisas que aprendi, na Faculdade de Teologia, é o que meu professor sempre dizia: “através de mim e apesar de mim Deus continua a fazer sua obra.” Vejo muito joio na Igreja, mas também há trigo. Eu creio na soberania de Deus e no agir do Espírito Santo na vida de homens e mulheres que não se deixam seduzir pelas vaidades humanas e a tentação de escolher o caminho mais fácil ou mais cômodo de experimentar um evangelho que seja insípido ou mal iluminado, mas que seja moda.

Existe um clamor crescendo e aos poucos ganhando voz nos corredores da Igreja, desejando uma profunda e sincera revisão dos modismos e ventos de doutrinas que se espalham por toda a terra.

Eu continuo orando por um grande e genuíno avivamento, ou se você preferir, Reforma na Igreja, no Brasil e no mundo, mas a grande onda de “revivals” que tem acontecido em nossos dias, algumas vezes tem trazido consigo aberrações teológicas, não quero dizer que uma reforma litúrgica seja má em si mesma, pelo contrário, creio que da mesma forma que nossa sociedade e sua linguagem se modificam com o passar do tempo, temos que tornar a mensagem e a revelação do evangelho claros, inteligíveis e contextualizados. Mas alguns movimentos, em busca de um culto mais moderno acabam cedendo à tentação de percorrer caminhos muito próximos de um emocionalismo vazio, provocam experiências das mais diversas, que dão lugar à atitudes, pensamentos e teologias sem qualquer reflexão bíblico-teológica mais profunda. Mudam o exterior e a aparência de seus cultos, mas suas práticas estão longe da verdadeira mudança que precisam experimentar. Da mesma forma uma igreja que não experimente uma fé viva e apaixonada e que se emoldura no quadro da história, não consegue reagir e não tem nada de novo a dizer para o meio onde está inserida.

Hora o ceticismo religioso e o enrijecimento da experiência da fé, hora crenças místicas e gnósticas têm sido inseridas em todo o contexto protestante brasileiro, travestida de uma avalanche do “eu sinto”, “Deus me falou”, “fui na casa do profeta” e etc. Sei que estou falando com todos os tipos de tendências: carismáticos, conservadores, liberais e qualquer outro grupo que haja em nosso meio. A Igreja não precisa de bandeiras políticas ou separatistas, não precisa de nada novo e ao mesmo tempo, não precisa de nada velho, só precisa de homens e mulheres que estejam sinceramente interessados em se colocar nas mãos de Deus para se deixar ser reformado e reformar sua nação e igreja e pagar o preço por isto. Este é o Espírito da Reforma.

 

Sugestão de leitura: GONZALEZ, Justo L. A era dos reformadores, São Paulo, 2004, Ed. Vida Nova.

 

Postado originalmente no blog Ovelha Magra

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